quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Hino Nacional às Avessas

I

Ouviram do Ipiranga as margens fétidas
De um povo triste o choro revoltante,
E o sol da Canalhice, em raios cínicos,
Brilhou no céu de merda nesse instante
                 
Ó triste desigualdade!
Não conseguimos mudar a nossa sorte
Aqui reina a mortandade
Esperamos calmamente a própria morte

Pátria arrasada
Ensanguentada
Salvem! Salvem!

Brasil, um pesadelo muito mórbido
A verba pública desaparece
Nossa política é um jogo sórdido
Crime grande e grave não se esclarece

Não há como esquecer nossa pobreza
Na falta de carne roemos osso
Deus do céu, que vergonha! Que tristeza!

Terra acabada
Foi um fuzil
Que te feriu
Pátria arrasada!

Tragédia feia assim nunca se viu
Pátria arrasada
Brasil!


II 

Deitado num leito de hospital público,
Não há médico para o moribundo,
Sua horrível figura esquelética
Em breve sairá do nosso mundo!

A infância está perdida
Caminha sem rumo pelos corredores
Da escola que está falida,
Onde não se paga bem aos professores

Pátria arrasada
Ensanguentada
Salvem! Salvem!

Brasil, o latifúndio é seu símbolo
O rico vive bem alimentado
Ao pobre nem o bagaço da laranja
É dado como sobra de mercado

Dizem que a Pátria é nossa “mãe forte”,
Nesse caso sou um filho-da-puta
Que foi abandonado à própria sorte!

Terra acabada
Foi um fuzil
Que te feriu
Pátria arrasada!

Tragédia feia assim nunca se viu
Pátria arrasada
Brasil!

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