sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sob um céu de abutres

O sol queima a minha pele
Nesse lugar perto do fim do mundo
E eu apenas vou
Sigo o meu caminho sob um céu de abutres.

Eu vivo em um lugar
Tão sujo e hostil
Em que todos os dias
Há uma guerra de todos contra todos
E o centro do universo
Parece ser o umbigo de cada um.

Quase trinta anos nessa estrada
Mas ainda me horrorizo
Com tanta fome
De poder
De ser
De ter
De foder
Com a vida alheia.

A cada corpo que cai
A cada resto caído no chão
Os abutres chegam
Para satisfazer suas vontades.

E se eu sigo o meu caminho
Sob um rubro céu de abutres
O que me resta é procurar
Ao menos um lugar seguro
Pois os abutres estão por aí
Eles não possuem asas
Eles não possuem bico
E eles não voam por conta própria...

Estes abutres são
Os próprios homens
Da pior espécie
Dos piores hábitos
Do tipo sem caráter
Sem bondade
Sem compaixão
Tão desonestos
Tão baixos e tão vis.

Humanos abutres insanos.

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